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Cem milhões de sedentários no Brasil

Entre a população de mais de 15 anos, 62,1% não pratica nenhuma atividade física. Dados do IBGE revelam que Rio é o estado com menor índice de prática esportiva. Sedentarismo já é considerado o quarto maior fator de risco de mortalidade global

<b>Reprodução</b> Atividade física faz bem à saúde
Reprodução Atividade física faz bem à saúde
Por O Morungaba - Assessoria de Imprensa da Prefeitura
Publicado em 18/05/2017

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que a maioria dos brasileiros não está se exercitando. De acordo com os dados do suplemento "Prática de Esporte e Atividade Física" da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2015, 100,5 milhões de brasileiros acima de 15 anos não praticaram esporte ou atividade física no ano analisado, o que corresponde a 62,1% dessa população.

A pesquisa feita pelo IBGE levou em consideração o entendimento do entrevistado sobre o que, para ele, seria classificado como esporte ou atividade física. Dessa forma, algumas modalidades, como caminhada, foram classificadas nas duas categorias. No caso da prática esportiva, cerca de 76% dos brasileiros acima de 15 anos não participaram de nenhum esporte ao longo de 2015. Nesse quesito, o Rio de Janeiro foi o estado com pior desempenho: somente 18,9% da população afirmou praticar alguma modalidade.
O Rio já havia trazido maus resultados na pesquisa "Vigitel Brasil 2016", divulgada pelo Ministério da Saúde em abril, mas em âmbito municipal. Comparada com as outras capitais do país, a cidade do Rio registrou maior percentual de diabéticos (10,4%) e hipertensos (31,7%). Nesse contexto, o novo dado da PNAD sobre atividade física é mais um alerta para o estado.

A unidade da federação com maior índice de moradores que praticam algum esporte foi o Amazonas, com 32,2%, seguido de Santa Catarina, 28,6%, e Mato Grosso, 28,5%. Ao lado do Rio, nas piores colocações estão Alagoas (19%) e Rondônia (19,9%).

Vários são os motivos apontados pelos brasileiros para justificar a ausência de exercício na rotina, mas, a maioria da população (38,2%) afirmou que não pratica esportes por falta de tempo. Esse também foi o principal motivo alegado pela população da região sudeste. Em segundo lugar, os brasileiros dizem não se envolver com modalidades esportivas por não gostarem ou não quererem se exercitar (35%).
A prática esportiva é maior entre os homens. Entre os 38,8 milhões que fazem alguma modalidade, 63,2% eram homens e 36,8% mulheres.

PAÍS DO FUTEBOL

O levantamento do IBGE confirma o esteriótipo de que o Brasil é o país do futebol. Segundo a pesquisa, essa é a modalidade mais praticada pelos brasileiros. Cerca de 39,3% da população que praticava algum esporte em 2015 jogava futebol. Em seguida, aparece a caminha com 24,6%. O terceiro esporte mais praticado pelos brasileiros foi a modalidade "fitness" que inclui, entre outras coisas, hidroginástica, spinning, yoga, pilates.
O estudo mostra que, excluindo o futebol, os esportes coletivos não são preferência nacional. Vôlei, basquete e handebol, somam 2,9% dos praticantes de esporte, ficando atrás, inclusive, de modalidades menos populares como lutas (3,1%), ginástica rítmica e artística (3,2%) e ciclismo (3,2%), escreve PAULA FERREIRA, em O Globo.

48% dos brasileiros diminuíram a frequência de atividade física
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas que não praticam atividade física está crescendo em todo o mundo e o sedentarismo já é considerado o quarto maior fator de risco de mortalidade global. Estudos mostram que diversas doenças são atribuídas à falta de exercícios e que a prática regular de atividade física reduz substancialmente o risco de infarto, câncer de cólon, diabetes, pressão alta, entre outros. Outro fator que está associado à estas doenças é o estresse e a depressão, síndromes consideradas como o grande mal do século e que são agravadas em tempos de crise.
Segundo o IBGE, a recessão dos últimos dois anos fez o PIB do país diminuir 7,2% e aumentou a taxa de desemprego para mais de 12%. Estes fatores criam um cenário de incertezas que aumenta a carga de estresse e diminui a qualidade de vida das pessoas. Além destes impactos, a crise também afeta a rotina e a frequência de atividade física dos brasileiros, segundo um levantamento realizado pela Sodexo Benefícios e Incentivos, com 1.133 pessoas em todo o Brasil.
A pesquisa revelou que 48% dos entrevistados admitem que diminuíram a frequência de atividade física por conta da crise. Quando perguntado se a crise causou alguma adequação na rotina de exercícios, 64% afirmam que sim, sendo que a alteração mais mencionada (46% dos casos) é a prática de atividades em parques e na rua, antecipando a relevância do fator preço sobre esse comportamento. Para 12%, a adequação foi mudar de academia, para 14% foi alterar o plano e para 9% foi optar por algum programa esportivo gratuito.
Ajudando a entender as adequações, o levantamento relevou que preço é o fator que mais influencia na prática de atividade física (59% dos entrevistados), seguido pela disponibilidade de tempo (57%), motivação (33%), distância do local onde pratica (20%) e companhia de amigos (8%). Isso confirma a relação direta entre a crise e a alteração dos hábitos relacionados ao exercício físico.
Para as empresas, menos atividade física pode significar funcionários menos saudáveis e menos produtivos. Apesar disso, poucas empresas brasileiras adotam programas formais de incentivo: 82,3% dos respondentes informaram que suas empresas não oferecem programas de atividade física. Nesse sentido, há uma oportunidade para que empresas contribuam para melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores também no quesito saúde e bem-estar.
“Infelizmente, o número de empresas que promove alguma ação para estimular a prática de atividade física é muito baixo. Mas talvez o nosso levantamento possa inspirar algumas organizações a mudar esse cenário e contribuir ativamente para minimizar os efeitos negativos da crise sobre essa questão. Há muitas formas de fazer isso, desde promover ações de conscientização, organizar grupos para práticas esportivas ou até mesmo oferecer benefícios relacionados à atividade física”, comenta Fernando Cosenza, diretor de Sustentabilidade da Sodexo Benefícios e Incentivos no Brasil. “Incentivar a prática de atividade física gera resultados positivos, inclusive para os empregadores”, conclui Cosenza, segundo a assessoria de imprensa da Sodexo.