Política

CORRUPÇÃO COMPRA LEIS E ENTREGA CASAS SEM TETO

Compra de MPs continuou mesmo após a Lava Jato. Delação agrava situação de Lula. Fachin dividirá inquéritos da Odebrecht. PF investiga compra do Banco Pan pela Caixa. Pressões levam a novos recuos na Previdência. Atos na Venezuela deixam 3 mortos

<b>Reprodução/Google</b> Resultado da corrupção
Reprodução/Google Resultado da corrupção
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo
Publicado em 20/04/2017

Delação agrava situação de Lula em relação a sítio de Atibaia

Detalhes dados por delatores da Odebrecht sobre a participação da construtora na reforma de um sítio em Atibaia agravaram a situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo de inquérito sobre o caso na Justiça do Paraná. Destacado pela empresa para acompanhar a reforma, o engenheiro Emyr Diniz Costa Junior disse que ajudou a elaborar contrato falso para esconder a participação da Odebrecht e comprou cofre para guardar R$ 500 mil repassados, em espécie, pela empresa. Segundo ele, em O Estado de S. Paulo, o dinheiro saiu do “departamento da propina”.

Compra de MPs continuou mesmo após a Lava Jato
Delações de ex-executivos da Odebrecht indicam que a empresa repassou recursos para tentar influenciar ao menos 20 atos do Legislativo e do Executivo, entre 2005 e 2015, em sua maioria a edição e a aprovação de medidas provisórias. A Folha de S. Paulo escreve que os últimos acertos relatados ocorreram após o início da Lava Jato.

Medalhistas
O juiz federal Sergio Moro e o apresentador Luciano Huck em Brasília. Ambos foram condecorados com a medalha de Honra do Mérito Militar, entregue a pessoas que tenham prestado serviços relevantes à nação, mostra a Folha de S. Paulo.
Incrível
Há um elemento que escapa a Emílio Odebrecht, a lei. Emílio Odebrecht ficou bilionário montado num esquema de corrupção, como a empresa admite. É incrível que, tendo engordado o bolso com dinheiro que deveria estar nos cofres públicos, se sinta confortável em opinar sobre o trabalho dos jornalistas, escreve Roberto Dias, na Folha de S. Paulo.

Fachin dividirá inquéritos da Odebrecht
Cerca de 40% dos 76 inquéritos abertos pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, a partir das delações de ex-executivos da Odebrecht serão redistribuídos, por sorteio, a outros ministros. Sairão da alçada do relator da Lava-Jato os casos sem relação direta com a Petrobras. O Globo escreve que, ao menos seis dos onze ministros do STF dizem ser a favor de mudar a regra do foro privilegiado, para ajudar a desafogar o tribunal do grande número de processos abertos após as delações. Caminho inverso - Míriam Leitão escreve que o Congresso ameaça Judiciário e cede aos lobistas.

Casas dos Garotinho ficaram pela metade

A Odebrecht entregou só metade das casas previstas em projeto em Campos, escreve O Globo. A empresa diz ter pagado R$ 27,5 milhões em caixa 2 ao casal Garotinho. Justiça aceita 7ª denúncia contra Sérgio Cabral.

PF investiga compra do Banco Pan pela Caixa
Um diretor do BC e um irmão de Silvio Santos tiveram o sigilo bancário quebrado na Operação Conclave, da PF, que investiga se houve crime na venda de ações do Banco Panamericano, hoje chamado de Banco Pan, para a Caixa, em 2009. O Globo escreve que o negócio deu prejuízo à Caixa.

PF apura fraude na compra do Panamericano
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão por suspeita de fraude na compra pela Caixa, em 2009, de fatia do Banco Panamericano, que pertencia ao Grupo Sílvio Santos. Entre os investigados, segundo O Estado de S. Paulo, estão Henrique Abravanel, irmão de Sílvio Santos, André Esteves, do BTG, e Maria Fernanda Coelho, ex-presidente da Caixa.
Pressões levam a novos recuos na Previdência
Relator surpreende governo e revê regra mais dura para servidores. Equipe econômica teme que outras mudanças reduzam impacto fiscal. Meirelles diz que medidas estão no ‘limite’. Um dia após apresentar seu parecer para a reforma da Previdência, negociado com o governo, o relator Arthur Maia cedeu a pressões e fez novos recuos, surpreendendo a equipe econômica. Maia adotou regras mais generosas para a previdência rural e divulgou uma “errata”, sinalizando que vai aliviar as exigências no regime de transição dos servidores. O governo teme que pressões de outros grupos levem a mais recuos. O Globo escreve que o ministro Henrique Meirelles disse que as mudanças estão no limite do que pode ser feito sem alterar o equilíbrio fiscal.

Por reforma da Previdência, governo endurece com aliados
46% dos deputados que apoiam Michel Temer no Congresso se declaram contra proposta do Planalto. O Planalto decidiu endurecer o tratamento com sua base aliada no Congresso para aprovar a reforma da Previdência. Mesmo com regras mais brandas do que as propostas originalmente, o número de deputados contrários à reforma da Previdência continua maior do que o de favoráveis. Levantamento feito pelo O Estado de S. Paulo na Câmara mostra que o governo Michel Temer enfrenta resistência até na base aliada. Foram ouvidos até a noite de ontem 305 deputados, quase 60% do total. Só 50 afirmaram estar dispostos a aprovar a reforma como está. Dos 150 votos contrários, 46% foram dados por deputados de partidos aliados. São necessários 308 votos para aprovação em plenário. O governo subiu o tom e decidiu cobrar dos ministros que enquadrem as bancadas aliadas, sob pena de perderem os cargos. O Planalto quer que os partidos fechem questão para aprovar a reforma. Quem desrespeitar a ordem corre risco de ser punido. Votação fica para maio. Acordo de governo e oposição atrasará a votação na Câmara. A apreciação na comissão da reforma da Previdência foi transferida para 2 de maio e o primeiro turno no plenário deve ocorrer só em 15 de maio.

Manobra reverte derrota da véspera; voto pode ocorrer na próxima semana

Um dia após derrota no plenário da Câmara, aliados de Michel Temer (PMDB) refizeram votação e aprovaram nesta quarta (19) requerimento para acelerar a discussão da reforma trabalhista proposta pelo presidente. O placar mostrou 287 votos a favor e 144 contra — na véspera, foram 230 favoráveis. Houve grande mobilização dos líderes da base aliada e do Planalto para reduzir as defecções. Os governistas também seguraram a sessão desta quarta por mais de duas horas para reunir presenças suficientes e aprovar a medida. Eram necessários 257 votos. Como resultado, a Câmara pode, já na próxima semana, votar a reforma trabalhista em plenário, sem precisar da autorização da comissão especial que hoje discute o projeto. O texto muda vários itens da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). A prevalência de negociações entre patrões e empregados sobre a legislação e o fim da contribuição sindical obrigatória estão entre as alterações. A oposição é contra, escreve a Folha de S. Paulo. Argumenta que a reforma do governo precariza as condições de trabalho. Com texto alterado, Executivo aposta em aval para nova Previdência.

Reforma trabalhista deve ir a voto dia 26
O governo conseguiu aprovar ontem na Câmara o requerimento de urgência para acelerar a votação da reforma trabalhista. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que espera votar a reforma em plenário na próxima quarta-feira, dia 26. Antes, o texto terá de ser votado na comissão especial. O Globo escreve que a oposição protestou levando cartazes ao plenário, já que, um dia antes, o governo tinha perdido na votação da urgência. O texto prevê, entre outros pontos, que o acordado entre empresas e sindicatos tenha poder de lei. Merval Pereira opina que, com a vitória, governo reafirma ter controle parlamentar.

Câmara mantém contrapartidas
A Câmara dos Deputados rejeitou destaques que eliminavam contrapartidas dos estados que terão ajuda financeira da União, segundo O Globo. Votação prossegue semana que vem.

Brasileiros entre os mais ansiosos
Relatório sobre o bem-estar dos estudantes em 72 países revela que jovens brasileiros de 15 anos, segundo O Globo, estão entre os mais ansiosos do mundo.

Justiça do Rio manda soltar policiais
Os dois PMs que foram filmados atirando em suspeitos, em Acari, responderão pelo crime em liberdade. O Globo escreve que juiz atendeu sugestão do Ministério Público.

Grande Rio tem morte suspeita
Autoridades médicas investigam morte suspeita por febre amarela em Maricá, segundo O Globo. Essa seria a primeira morte na Região Metropolitana do Rio.

Atos na Venezuela deixam 3 mortos
Opositores do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enfrentam a polícia em Caracas: dezenas de milhares de pessoas foram às ruas da capital e de outras cidades do país para protestar contra o governo. Ao menos dois manifestantes e um policial morreram, segundo O Estado de S. Paulo. Em resposta, o chavismo organizou manifestação de apoio a Maduro.

Três morrem em atos na Venezuela contra Maduro
Pelo menos três pessoas morreram durante atos na Venezuela contra o presidente Nicolás Maduro. Segundo testemunhas, dois estudantes— de 17 e 23 anos— foram atingidos por disparos de milícias que defendem o governo. Além disso, segundo a Folha de S. Paulo, um guarda nacional morreu após confronto com manifestantes.

VÍDEO DIVULGADO EM O GLOBO.

Obra da Odebrecht em Campos tem casas sem portas, janelas e teto
Delator relatou doações via caixa 2 ao casal Garotinho, que nega acusações - Reportagem: Marco Grillo // Imagens: Pablo Jacob // Edição: Renee Rocha.

http://oglobo.globo.com/brasil/obra-da-odebrecht-em-campos-tem-casas-sem-portas-janelas-teto-21232766