Política

LULA PEDIU DESTRUIÇÃO DE PROVAS. PALOCCI QUER FALAR

Executivo disse que petista mandou destruir provas de caixa 2. ‘Triplex era do Lula’. Palocci diz estar disposto a revelar fatos e nomes. Cunha recebeu R$ 19,7 milhões em 36 parcelas. Maduro confisca fábrica da GM. Atentado na França

<b>Reprodução</b> Léo Pinheiro e Lula
Reprodução Léo Pinheiro e Lula
<b>Reprodução</b> Lula e Léo Pinheiro no triplex
Reprodução Lula e Léo Pinheiro no triplex
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo
Publicado em 22/04/2017

SEXTA-FEIRA, 21 DE ABRIL DE 2017.

O executivo José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, afirmou ao juiz Sérgio Moro que o apartamento triplex no Guarujá (SP) pertencia ao ex-presidente Lula. O imóvel, segundo acusa o Ministério Público Federal, foi repassado ao petista como forma de propina. “O apartamento era do (ex-) presidente Lula. Desde o dia que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop (cooperativa habitacional dos bancários, ligada ao PT) já foi me dito que era do Lula e de sua família e que eu não comercializasse e tratasse aquilo como propriedade do presidente”, afirmou Pinheiro. O executivo e Lula são réus em ação penal na 13.ª Vara Federal de Curitiba por esse caso. A denúncia sustenta que Lula recebeu R$ 3,7 milhões da OAS em benefício próprio – de um total de R$ 87 milhões – entre 2006 e 2012, escreve O Estado de S. Paulo. Parte do valor, segundo investigadores, foi repassada por meio do imóvel. Pinheiro também disse que, em junho de 2014, o petista o teria orientado a destruir provas de pagamentos via caixa dois ao PT. “Se tiver, destrua”, foi a ordem de Lula, segundo Pinheiro.

Advogado refuta afirmações

O advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins, minimizou as declarações de Léo Pinheiro, escreve O Estado de S. Paulo. “O que ele disse é que foi dada a propriedade, mas não sabe dizer como foi dada nem de que modo”, afirmou o advogado do petista.
Lula pediu destruição de provas, diz sócio da OAS
Empresário presta depoimento a Moro; ex-presidente afirma que ê mentira. O empresário Léo Pinheiro, sócio da empreiteira OAS, disse em audiência com o juiz Sergio Moro que o ex-presidente Lula lhe pediu que destruísse provas sobre pagamento de propinas ao PT. Segundo ele, o encontro ocorreu em maio de 2014, dois meses após a deflagração da Operação Lava Jato. A ação havia prendido Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, mas só chegaria às empreiteiras em novembro.

Lula disse, de acordo com Pinheiro: “Você tem registro de algum encontro de contas, de alguma coisa feita com João Vaccari [então tesoureiro do PT]? Se tiver, destrua”. Condenado a 39 anos de reclusão e preso desde setembro do ano passado, o empresário negocia acordo de delação premiada.

Pinheiro falou a Moro em Curitiba no processo sobre a reforma de um tríplex em Guarujá (litoral paulista), no qual ele e o ex-presidente da República são réus. O Ministério Público diz que Lula recebeu R$ 3,7 milhões da OAS. O valor teria sido investido no apartamento, que, segundo o empresário, era do petista. A defesa de Lula, segundo a Folha de S. Paulo, afirma que a versão é mentirosa e foi combinada com procuradores.

'Se tiver, destrua'
Sócio da OAS diz que Lula o instruiu a dar fim a provas de pagamento de propina ao PT. Num depoimento surpreendente e revelador, o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, relatou ontem ao juiz Sérgio Moro que o ex-presidente Lula sabia de repasses de propina ao PT via caixa dois e contou que foi orientado pelo petista, depois do início da Lava-Jato, a destruir provas desses pagamentos. O empreiteiro relatou diálogo que teve com Lula, no qual o ex-presidente teria sido claro: “Você tem registro de algum encontro de contas feitas com João Vaccari (o ex-tesoureiro petista, também preso) com vocês? Se tiver, destrua.” Preso pela Lava-Jato e tentando acordo de delação premiada, Léo Pinheiro afirmou ainda que o tríplex do Guarujá estava reservado para Lula antes da negociação com a cooperativa que repassou o prédio à OAS. O apartamento era do ex-presidente e nunca foi posto à venda, sustentou o empreiteiro, contando ainda que fez reformas no imóvel a pedido do petista e de dona Marisa, ex-primeira-dama. Segundo O Globo, a defesa de Lula reagiu dizendo que o empresário “fabricou o diálogo”. 

Após 7 anos, a revelação de que tríplex era do ex-presidente
A informação de que o tríplex no Guarujá estava destinado à família do ex-presidente foi publicada pelo O Globo há sete anos, mas Lula sempre negou. O empreiteiro Léo Pinheiro contou que desde 2009, quando o petista ainda estava na Presidência, sabia que o imóvel seria de Lula. Para Míriam Leitão, estratégia de defesa de Lula foi desmontada.

Em mudança de era, nem sempre se anda para a frente

Há eventos que advertem-nos de que nova era pode ser inaugurada. E nem sempre se anda para a frente, escreve Reinaldo Azevedo, na Folha de S. Paulo. Quando um juiz tenta impor a um ex-presidente disciplina ao arrepio da lei, quando membros do MPF abusam de sua autoridade, tem-se encontro marcado com o abismo.
Palocci diz estar disposto a revelar fatos e nomes
Em clara demonstração de que pretende conseguir o benefício da delação premiada, o ex-ministro Antonio Palocci disse estar à disposição para revelar “nomes, endereços e operações realizadas” de interesse da Lava-Jato. Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, no inquérito em que é acusado de usar dinheiro de propina para pagar ao marqueteiro das campanhas dos ex-presidentes Lula e Dilma, Palocci admitiu a existência de caixa dois nas eleições e negou ter orientado pagamentos no exterior a João Santana e Mônica Moura. Preso desde setembro do ano passado, Palocci disse a Moro, segundo O Globo: “Posso dar um caminho que vai lhe dar mais um ano de trabalho, que faz bem ao Brasil.”

‘Posso apresentar fatos de interesse da Lava Jato’
Em negociação para um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal, o ex-ministro Antonio Palocci, preso desde setembro, ofereceu ao juiz Sérgio Moro “um caminho” que, segundo ele, fará “bem ao Brasil”, com informações de interesse da Lava Jato. “Fico à sua disposição hoje e em outros momentos porque todos os nomes e situações que eu optei por não falar aqui, por sensibilidade da informação, estão à sua disposição no dia que o senhor quiser”, disse Palocci. Ele afirmou que pode apresentar “fatos com nomes, endereços, operações realizadas e coisas que vão ser, certamente, do interesse da Lava Jato”. Palocci é o primeiro membro da alta cúpula do PT a indicar um possível acordo de delação, escreve O Estado de S. Paulo. Há rumores de que poderá envolver nomes ligados a instituições financeiras. Fala, Palocci! Palocci é a bola da vez. Há muito o que contar sobre Lula e os governos petistas, mas o terreno a ser desbravado é o lado corruptor, escreve Eliane Cantanhêde, no O Estado de S. Paulo.O que se sabe do sistema financeiro? No PT, ‘pá de cal’. A disposição de Palocci de entregar à Lava Jato fatos e nomes provoca duas reações no PT, segundo Ricardo Galhardo, no O Estado de S. Paulo. Dirigentes tratam como “pá de cal”; outros, como um recado a setores empresarial e financeiro.

Cunha recebeu R$ 19,7 milhões em 36 parcelas
O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) recebeu R$ 19,7 milhões em 36 parcelas mensais de R$ 547 mil entre os anos de 2011 e 2014. A afirmação é do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior, em delação premiada, escreve O Estado de S. Paulo. Dinheiro era para que Cunha influenciasse na liberação de recursos para obras do Porto Maravilha, no Rio.

Emprego com carteira frustra expectativa e cai em março
Após resultado positivo em fevereiro, o emprego com carteira assinada decepcionou em março. Foram eliminados 63.624 postos, o que confirma perspectiva de que a recuperação só deve ocorrer após sinais mais claros de retomada da economia. A Folha de S. Paulo escreve que o ministro Ronaldo Nogueira (Trabalho) tentou dissipar a frustração e afirmou que a expectativa positiva se mantêm.

Reforma incluirá servidores do Rio
Os servidores do Rio, segundo O Globo, deverão ficar sujeitos às regras gerais de aposentadoria, avaliam gestores da Previdência, pois não haverá tempo hábil de criar regimes próprios.
Maracanã terá outra licitação
O governador Pezão decidiu licitar novamente o Maracanã, administrado pela Odebrecht, que queria repassar o estádio a uma empresa francesa, segundo O Globo. Clubes poderão participar.

Maduro confisca fábrica da GM
A General Motors informou que autoridades da Venezuela “tomaram inesperadamente” a fábrica da empresa em Valencia, que operava desde 1948. O Globo escreve que a GM vai à Justiça.

Na França, atentado a 3 dias da eleição
Um policial é morto; Estado Islâmico assume autoria. Um terrorista chegou de carro à Avenida Champs-Elysées, próximo ao Arco do Triunfo, em Paris, matou um policial a tiros, feriu outros dois e uma mulher e foi morto ao tentar escapar a pé. O atentado, a três dias do 1º turno da eleição presidencial, foi assumido pelo Estado Islâmico, segundo O Globo. Estações de metrô foram interditadas.

Terror ataca em Paris e leva tensão à eleição presidencial
Um homem trocou tiros com policiais na Avenida Champs-Elysées, em Paris, matando um agente e ferindo outros dois. O agressor foi abatido na ação e uma turista foi atingida por estilhaços. O tiroteio ocorreu ao ar livre, às 20h50 (15h50 em Brasília), quando havia grande fluxo de pessoas na rua. Horas depois do ataque, segundo O Estado de S. Paulo, o grupo extremista Estado Islâmico reivindicou a autoria do atentado, aumentando a tensão no país às vésperas da eleição presidencial de domingo.

Ataque em Paris mata policial a 3 dias da eleição
Um policial foi morto e dois ficaram feridos após ataque de atirador na avenida Champs-Elysêes, um dos cartões-postais de Paris. A organização terrorista Estado Islâmico reivindicou a autoria da ação. O atirador seria Abu Yussef, o Belga, diz a facção — ele foi morto. O atentado ocorreu às vésperas da eleição presidencial, no domingo, escreve a Folha de S. Paulo. Autoridades pediram aos candidatos que ampliem seus esquemas de segurança.