Política

DELAÇÃO CONTRA TEMER TAMBÉM ATINGE LULA, DILMA, RENAN ETC.

STF manda investigar Temer. Crise é devastadora. Perícia para ver se houve edição do áudio gravado pelo delator. Em gravação, Temer ouve dono da JBS relatar crimes. Ganho com dólar paga a multa contra JBS. Aécio deixa a chefia do PSDB.

<b>Reprodução</b> Temer e Joesley Batista, da JBS
Reprodução Temer e Joesley Batista, da JBS
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo
Publicado em 19/05/2017

A teia da JBS e o poder dos irmãos Joesley e Wesley Batista foram muito além do que já foi divulgado, informa Eliane Cantanhêde, Eliane Cantanhede. O Supremo Tribunal Federal deve divulgar hoje delações que atingem, pela ordem, os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB) e o ex-chanceler José Serra.
Ganho com dólar paga a multa contra JBS
O ganho da JBS na compra de dólares na quarta-feira paga os R$ 250 milhões da multa do acordo no MPF, escreve a Coluna Brodcast, de O Estado de S. Paulo.
Provas em dinheiro vivo
Fotos e filmagens feitas pela PF, segundo O Globo, provam a entrega de malas de dinheiro a aliados de Temer e Aécio Neves. Bolsa despenca e dólar tem maior alta desde 1999. A notícia da delação da JBS levou pânico aos mercados financeiros ontem. A Bolsa brasileira caiu mais de 10% logo na abertura do pregão, o que acionou o circuit braker, uma paralisação de meia hora nos negócios. No fim do dia, a Bolsa fechou em queda de 8,79%, o maior recuo desde 2008, no auge da crise global. As empresas com ações listadas na Bolsa perderam R$ 219 bilhões em valor de mercado só ontem. O dólar disparou 8,16%, a maior alta desde a maxidesvalorização de 1999, chegando a R$ 3,39, mesmo após o Banco Central ter feito intervenções de US$ 2 bilhões no mercado de câmbio. Analistas avaliam que, sem uma solução rápida para a crise institucional, o crescimento econômico do país está ameaçado este ano e a recessão poderá se prolongar até 2018, segundo O Globo. Os investimentos de empresas, que ensaiavam uma retomada, devem ser adiados.

Bolsa tem pior queda desde 2008; dólar à vista sobe 8,7%
A Bolsa brasileira teve a maior queda em quase nove anos após o presidente Michel Temer negar que renunciaria. Foi acionado pela primeira vez no período o circuit breaker, que suspende as negociações caso o índice Ibovespa caia mais de 10%. No final do pregão,aqueda foi de 8,8%. O valor de mercado das empresas do índice caiu R$ 219 bilhões, reporta a Folha de S. Paulo. O dólar à vista subiu 8,68%, para R$ 3,37.

Tramitação de reformas é suspensa
A crise paralisou a tramitação das reformas no Congresso. O relator da Previdência, Arthur Maia, disse que é hora de “esclarecer fatos obscuros”. Para Ricardo Ferraço, da trabalhista, “a crise institucional é devastadora”. O Globo escreve que os leilões de infraestrutura devem ficar no papel.

O lado mais feio da estagnação

Mais cruel e feio do que o desemprego de 14,2 milhões é a subutilização de 26,5 milhões, afirma o editorial de O Estado de S. Paulo.

No país, 2,9 milhões estão em busca de emprego há mais de 2 anos
O número de brasileiros procurando emprego há mais de dois anos atingiu o recorde de 2,9 milhões de pessoas no primeiro trimestre deste ano. É o maior índice registrado desde 2012, quando o levantamento começou a ser feito pelo IBGE, escreve a Folha de S. Paulo. A cifra, que voltou a crescer após dois trimestres de recuo, representa 20,4% dos 14,2 milhões de desempregados do país.

Colunistas de O Estado de S. Paulo.

Delação da JBS atinge também Lula, Dilma, Renan e Serra - A teia da JBS e o poder dos irmãos Joesley e Wesley Batista foram muito além do que já foi divulgado, informa Eliane Cantanhêde, no O Estado de S. Paulo. O Supremo Tribunal Federal deve divulgar hoje delações que atingem, pela ordem, os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB) e o ex-chanceler José Serra. Para Vera Magalhães, o pronunciamento de Temer foi tentativa de ganhar tempo, mas o tom da fala não escondeu a falta de sustentação política. Fernando Gabeira opina que a redemocratização caiu num pântano. A guinada para a corrupção contribuiu para nos arruinar e lançar tanta gente no desemprego. Segundo Oswaldo E. do Amaral, os desafios colocados são os de alterar o sistema de financiamento de campanha e de ampliar o controle de recursos do Executivo. Para David Fleischer saída é eleger Meirelles. “É “ficha-limpa”, não tem contra ele acusações de corrupção e mantém excelentes relações com setor privado.”  Já Fábio Wanderley Reis considera que país pode não se acalmar. “A saída seria eleger um presidente que dê continuidade ao programa econômico de austeridade e reformas para restaurar a confiança”. Celso Ming comenta o preço das lambanças. “Nesse clima de insegurança, nenhum empresário se lançará a investimentos, porque não sabe quais riscos encontrará à frente”. O vazamento de parte da delação de Joesley Batista para a imprensa não foi acidente, escreve, em editorial, O Estado de S. Paulo. Há quem esteja interessado, sabe-se lá por quais razões, em gerar turbulência.

Colunistas da Folha de S. Paulo

Na opinião de Reinaldo Azevedo, na Folha de S. Paulo, presidente Temer é vítima de uma conspiração muito bem-sucedida. A coluna Painel escreve que Planalto quer enviar áudio à perícia para ver se houve edição. Bernardo Mello Franco entende que, ao prolongar agonia, Temer mostra apego à cadeira, não ao país.

Colunistas em O Globo

Para Merval Pereira, Temer parece ter perdido noção do que é certo ou errado. Silêncio de Temer na reunião fala mais que as palavras, escreve Míriam Leitão. Já Ancelmo Gois escreve recorda que Nixon também disse que não renunciaria. A coluna Cantinho do Moreno
afirma Aécio e Andrea desonraram a memória de Tancredo. Paralelamente, Rogério Furquim Werneck afirma que BNDES fez aportes fora de propósito à JBS.

Supremo afasta Aécio do Senado, mas nega prisão
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão do senador Aécio Neves, mas o relator da Lava-Jato no STF, Edson Fachin, negou e determinou o afastamento dele do Senado. Aécio, que também se licenciou da presidência do PSDB, é acusado de pedir R$ 2 milhões ao dono da JBS. O deputado Rodrigo Rocha Loures foi afastado da Câmara pelo STF. O Globo escreve que a irmã e um primo de Aécio estão entre os oito presos ontem pela PF.

STF manda investigar Temer; presidente diz que não renuncia
Temer nega acusações de Joesley e Wesley Batista: ‘Não comprei o silêncio de ninguém’ - PSDB decide esperar avanço das apurações - Gravação tem qualidade ruim e mostra empresário relatando ao presidente tentativa de obstruir a Justiça. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, autorizou abertura de inquérito para investigar o presidente Michel Temer com base na delação dos sócios da JBS, Joesley e Wesley Batista. Em meio à reação negativa do mercado, ameaças de debandada de ministros e diante de especulações de que deixaria o cargo, Temer veio a público e negou a possibilidade de renúncia. “Não renunciarei. Repito: não renunciarei”, disse. Ele repudiou as acusações de que teria dado aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha. “Não comprei o silêncio de ninguém.” À noite, Fachin liberou a gravação da conversa entre Joesley e Temer, que tem trechos inaudíveis, escreve O Estado de S. Paulo. O empresário conta ao presidente como tentou obstruir investigação da qual é alvo. Principal aliado, o PSDB deu sinais de que deixaria o governo, mas resolveu esperar o avanço das apurações. 

Afastado do Senado, Aécio deixa chefia do PSDB
Afastado do Senado por decisão do ministro do STF Edson Fachin, Aécio Neves se licenciou da presidência do PSDB ontem. Mais cedo, sua irmã, Andrea Neves, foi presa pela PF na Operação Patmos. Foram feitas buscas em imóveis da família, a fim de coletar provas de crimes contra a administração pública. Frederico Pacheco de Medeiros, filmado carregando malas de dinheiro enviado por Joesley Batista, também foi detido. Aécio, segundo O Estado de S. Paulo, diz que valores pedidos a Batista eram “um empréstimo”.

'Não renunciarei'

As gravações feitas por Joesley Batista mostram que o presidente Temer ouviu, sem fazer objeções, o dono da JBS relatar como vinha tentando obstruir investigações contra ele, inclusive com aliciamento de juízes e procuradores. Temer também escutou, sem repreender o dono de empresas que já foram alvo de cinco operações da PF desde 2016, relatos sobre pagamentos ao ex-deputado Eduardo Cunha. No documento em que pediu a abertura de inquérito para investigar o presidente, autorizada pelo STF, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, diz que Temer deu “anuência” ao pagamento mensal de propina a Cunha. Antes da divulgação das gravações, em pronunciamento no Planalto, o presidente afirmou: “Não renunciarei. Sei o que fiz. E sei da correção dos meus atos.” Em diversas capitais, houve manifestações pedindo a saída de Temer. ‘Não há saída da crise fora da Constituição’, escreve, em editorial, O Globo.

Temer afirma que não renuncia; áudio sobre Cunha é inconclusivo
Em outro trecho, presidente elogia esforço de dono da JBS para ‘segurar’ juízes; STF autoriza investigação do peemedebista. Diante da crise gerada pela gravação de suas conversas com o empresário Joesley Batista, do frigorífico JBS, e de abertura de inquérito em seu nome no Supremo, o presidente Michel Temer (PMDB) afirmou que não renunciará. “Não renunciarei. Repito: não renunciarei”, disse. “Sei o que fiz e sei a correção dos meus atos”, declarou, em discurso duro. O áudio da conversa em que, segundo a Procuradoria-Geral da República, Temer deu aval a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) veio a público e é inconclusivo. O sigilo das gravações foi derrubado pelo ministro do STF Edson Fachin. No trecho, Joesley diz que “zerou tudo”, referindo-se a “pendências” com Cunha. Na sequência, resume o quadro: “O que que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo, ok?”. Nesse momento, Temer concorda: “Tem que manter isso, viu?”. Joesley complementa: “Todo mês”. Outro trecho revela, porém, que o peemedebista tomou conhecimento de plano para interferir em investigação. Ao ouvir a estratégia, Temer respondeu: “Ótimo”. O executivo disse que estava “dando conta” de dois juízes, os quais não identificou, e que conseguiu colocar um procurador “dentro da força-tarefa” da Operação Greenfield. Ao deixar de informar as autoridades sobre o fato, o presidente cometeu, em tese, o crime de prevaricação, escreve a Folha de S. Paulo. Além de determinar abertura de investigação contra Temer, o Supremo Tribunal Federal decidiu pelo afastamento do senador Aécio Neves (PSDB). Segundo a acusação, o tucano pediu R$ 2 milhões aos donos do frigorífico JBS. Sua irmã, Andrea Neves, foi presa. 

EUA congelam bens de Corte venezuelana
Congelamento de ativos atinge o presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, Maikel Moreno, e mais sete, escreve O Estado de S. Paulo.