Política

DESTINOS DE LULA E TEMER CAUSAM DÚVIDAS SOBRE 2018

Incertezas políticas sobre as eleições de 2018. Vitória inicial de Temer, no Congresso, custou R$ 15 bilhões. "Não é verdade que nada presta". Delação de Cunha está travada. Reforma da Previdência pode ser fatiada.Sinais de recuperação na economia...

<b>Reprodução</b> Lula e Temer
Reprodução Lula e Temer
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo
Publicado em 17/07/2017

DIA 16/7/2017 - Destinos de Temer e Lula ampliam dúvida sobre eleições

A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a denúncia contra Michel Temer aumentaram as dúvidas dos analistas e dos políticos sobre as eleições do ano que vem. Segundo eles, a intenção de Lula de concorrer, mesmo após ter sido sentenciado pelo juiz Moro, pode “judicializar” a disputa, pulverizar os cenários, fragmentar o campo da centro-esquerda e interferir indiretamente na escolha do candidato da atual aliança governista PMDB-PSDB-DEM, reporta O Estado de S. Paulo. Vergonhosa regra para impedir prisão de pré-candidatos não tornaria Lula elegível, afirma Merval Pereira (O Globo). Sob risco de ficar inelegível para 2018, segundo Elio Gaspari (O Globo), Lula já precisa começar a pensar num poste. Fé cega, faca amolada - Lula deixou o terreno, segundo Vera Magalhães (O Estado de S. Paulo, da política e está operando na seara do messianismo. Advogado de Temer defende o de Lula– O Estado de S. Paulo informa que Antonio Cláudio Mariz de Oliveira defende Roberto Teixeira, que atua no caso do sítio de Atibaia. O recesso do Congresso começa, segundo Eliane Cantanhêde (O Estado de S. Paulo), mas nem Temer nem oposição terão sossego. Um documento histórico, segundo O Estado de S. Paulo. “No futuro, quando arrefecerem as paixões, a sentença do juiz Sérgio Moro (condenando Lula a 9 anos e meio de cadeira por corrupção e lavagem de dinheiro) haverá de ser lida como um registro da vitalidade do Estado Democrático de Direito”.

Temer usou R$ 15 bilhões para obter vitória
Verbas para obras nos estados se somaram a reforço na liberação de emendas. Recursos foram anunciados durante debate de denúncia contra presidente na CCJ. Além de acelerar a liberação de dinheiro para emendas parlamentares, o governo escolheu os dias de votação do relatório que pedia o prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para anunciar somas bilionárias que atendem às pretensões eleitorais de deputados aliados, como crédito para iluminação pública, saneamento e gestão de resíduos sólidos. Embora conviva com rombo nas contas públicas, o Planalto, em dois dias, lançou programas e liberou verbas que chegam a R$ 13,4 bilhões, um sexto de todo valor investido nos últimos seis meses. Soma-se a esse valor R$ 1,9 bilhão de emendas parlamentares empenhadas nas últimas duas semanas. O Globo escreve que a conta desconsidera as cifras do Plano Safra. Foram anunciados R$ 103 bilhões do Banco do Brasil para o programa. A colunista Míriam Leitão afirma que o atrapalhado governo Temer vai causando estragos em várias áreas enquanto tenta se salvar.

A saga do triplex
Pivô da inédita condenação de um ex-presidente da República, o apartamento triplex em Guarujá (SP) começou a ser pago pelo casal Luiz Inácio Lula da Silva e Marisa Leticia há 12 anos, escreve a Folha de S. Paulo. O imóvel, que o petista afirma não ser seu, será confiscado. Lula recorreu da sentença.

Redemocratização
É o momento de avaliar não só um governo, mas todo o processo de redemocratização, opina Fernando Gabeira, em O Globo.

O que fazer
Precisamos saber o que faremos do Brasil neste instante seminal, como reconstruir nossa democracia, escreve Caca Diegues (O Globo).
Nós não cabemos em Miami; opção é arrumar a casa

Mais que um candidato para 2018, precisamos de um discurso — já. Não é verdade que nada presta, escreve Antonio Prata (Folha de S. Paulo). Tenho certeza de que há algo para se apegar. Temos que achar. Somos 200 milhões. Não cabem todos em Miami. Nossa opção é arrumar a casa. Precisamos reinventar o Brasil.

Esconde dinheiro
Procuradoria-Geral da República, segundo Lauro Jardim (O Globo), acha que Eduardo Cunha esconde dinheiro fora e trava delação.

Tornozeleiras
Maior fabricante de tornozeleiras eletrônicas tem crescimento de 30% ao ano, desde 2014, informa Ancelmo Gois (O Globo).

Jucá admite que reforma da Previdência pode ser fatiada
As vitórias do governo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, em relação à denúncia contra o presidente Michel Temer, e na reforma trabalhista injetaram ânimo no governo. Mesmo assim, escreve O Estado de S. Paulo, o líder no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), já admite votar apenas parte do projeto de reforma da Previdência e adiar “para 2018 ou para o futuro” a decisão sobre temas polêmicos que podem ser barrados pelo Congresso.

Sinais de recuperação na indústria
Beneficiados pelo câmbio, o setor automotivo e o polo de moda íntima de Nova Friburgo impulsionam o desempenho da indústria fluminense, que acumula alta de 4,6% no ano. O Globo escreve que montadoras elevam produção e fábricas de lingerie aumentam as contratações.

Aumenta verba do Sistema S sem controle da Receita
Modelo de arrecadação direta, usado por Sesi e Senai, é questionado pela falta de transparência dos recursos. A arrecadação direta do Sistema S cresce a cada ano. Em 2016, o valor recolhido pelas empresas para o cofre das entidades sem passar pela Receita chegou a R$ 4,2 bilhões —contra R$ 3,8 bilhões por meio do fisco. Sesi (Serviço Social da Indústria) e Senai (Serviço Nacional da Indústria), dois dos principais representantes do sistema, recolhem a contribuição compulsória diretamente dos seu filiados. Conforme o setor, o percentual varia de 0,2% a 2,5% sobre o montante da remuneração paga aos empregados. Isso gera questionamento pelo aspecto legal e pela transparência, já que dificulta o controle dos recursos. Os chamados serviços sociais autônomos não têm fins lucrativos. Suas verbas são semipúblicas — têm de ser aplicadas em favor da sociedade, mas não são incluídas no Orçamento federal. A fiscalização das finanças dos filiados ao sistema cabe ao Tribunal de Contas da União e à Controladoria-Geral da União, mas os próprios órgãos relatam dificuldades para fazer esse trabalho, reporta a Folha de S. Paulo. Representantes das entidades defendem a necessidade dos recursos da contribuição compulsória e a competência do Sesi e do Senai de arrecadar os tributos diretamente e qualificar os trabalhadores.

Doria reduz em R$ 4,5 bilhões previsão de investimentos
Prefeitura afirma que custo da máquina e crise vão afetar obras e projetos. A Prefeitura de São Paulo dispõe de R$ 1 bilhão para gastar em investimentos em obras neste ano, apenas 18% da previsão inicial, de R$ 5,5 bilhões. É o menor valor da última década. Pelo menos 63 construções, como creches e unidades de saúde, além de empreendimentos de drenagem e corredores de ônibus, todos com obras já contratadas, não terão verba em 2017. O secretário municipal da Fazenda, Caio Megale, aponta aumento de 83% nos gastos de custeio nos últimos cinco anos, redução de recursos via PAC, gastos não previstos no orçamento e a crise econômica como justificativas para a redução. O prefeito João Doria (PSDB) culpa o “déficit herdado da gestão anterior”. Fernando Haddad (PT), por sua vez, afirma que deixou R$ 5 bilhões em caixa e investiu R$ 17 bilhões durante o mandato. O Estado de S. Paulo conta que a administração prevê que a capacidade de investimento só será recuperada com privatizações.

Remédios caros para doente grave travam no SUS
Mesmo após liminares favoráveis, pacientes com doenças graves não obtêm no Sistema Único de Saúde remédios de alto custo. São 474 casos, segundo dados de tribunais de Justiça. A negativa é uma “pena de morte”, diz advogado, segundo a Folha de S. Paulo. O governo alega questões logísticas para descumprir decisões.
A história do traficante brasileiro de R$ 1,2 bilhão
Considerado o maior traficante da América Latina, o brasileiro Cabeça Branca, preso há 15 dias, faturou R$ 1,2 bilhão fornecendo pelo menos cinco toneladas de cocaína por mês para EUA, Europa e África, além de Rio e São Paulo, revela, em O Globo, Antônio Werneck.
Vigilância de fronteira
Piloto da Aeronáutica em Cascavel (PR), mostra O Estado de S. Paulo: Operação Ostium, na fronteira com a Bolívia e o Paraguai, fez de março a julho 150 interceptações de voos clandestinos.