Política

'Bolsa Lula' (Cinismo)

Neta de banqueiro, Roberta Luchsinger (foto) quer doar a Lula R$ 500 mil em itens de luxo. Primeira delação na Zelotes cita grupo de comunicação. Governo quer que emendas banquem campanhas. Alckmin x Doria. Trump (EUA) ameaça Venezuela...

<b>Reprodução</b> Banqueira Roberta Luchsinger
Reprodução Banqueira Roberta Luchsinger
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo
Publicado em 12/08/2017

'Bolsa Lula'
Herdeira da família fundadora do banco Credit Suisse, Roberta Luchsinger, 32, decidiu apoiar financeiramente o ex-presidente Lula, que teve quase R$ 10 milhões em planos de previdência e contas bancárias bloqueados por decisão do juiz federal Sergio Moro. Filiada ao PC do B, ela vai doar ao petista cerca de R$ 500 mil em dinheiro, jóias e objetos de valor.

Neta de banqueiro suíço quer doar a Lula R$ 500 mil em itens de luxo. Se Luiz Inácio Lula da Silva é visto como o pai do Bolsa Família, ela quer ser a mãe do "Bolsa Lula". Herdeira da família fundadora do banco Credit Suisse, Roberta Luchsinger, 32, decidiu lançar um movimento de apoio financeiro ao ex-presidente, que teve quase R$ 10 milhões em planos de previdência e contas bancárias bloqueados por Sergio Moro.

A neta do suíço Peter Paul Arnold Luchsinger abriu o bolso, o closet e o cofre para fazer uma doação pessoal ao petista no valor de cerca de R$ 500 mil em dinheiro, joias e objetos de valor.
"Com o bloqueio dos bens de Lula, Moro tenta inviabilizá-lo tanto na política quanto pessoalmente. Vou fazer uma doação para que o presidente possa usar conforme as necessidades dele", diz, em reportagem de Eliane Trindade (Folha de S. Paulo).
Ela saca da bolsa Hermés um cheque ao portador no valor de 28 mil francos suíços (cerca de R$ 91 mil), mesada que recebia do avô morto em julho, aos 92 anos.
"Foi o último cheque que recebi dele e vou repassar integralmente ao Lula. Agora, já podem dizer que ele tinha conta na Suíça, aquela que os procuradores da Lava Jato tanto procuraram e não acharam", ironiza.
A herdeira bilionária recheou uma mala da marca Rimowa de objetos que o ex-presidente poderá transformar em dinheiro.
Entre eles, um relógio Rolex (R$ 100 mil) e um anel de diamantes da joalheira Emar Batalha (R$ 145 mil), que enfeitou um editorial da revista "Vogue". "Lula vai poder penhorar tudo", sugere.
Na mala que será entregue pessoalmente nos próximos dias, em data que ainda está sendo negociada com o ex-ministro Gilberto Carvalho, há ainda objetos de desejo de blogueiras e "it girls": bolsa Chanel (R$ 32 mil), par de sandálias Christian Louboutin (R$ 3.000) e vestido Dolce & Gabbana (R$ 30 mil).
"São itens que poderão ser leiloados em um evento em benefício ao ex-presidente", propõe Roberta.
Uma bandeja de prata, com o brasão da família Luchsinger, foi incluída na lista. Segundo ela, é um protesto pelo confisco dos presentes que Lula recebeu de chefes de Estado quando estava na Presidência.
Roberta justifica a doação com críticas ao que qualifica de "excessos" e "seletividade" da cruzada anticorrupção empreendida por Moro e companhia.
"É indevido esse protagonismo político da Lava Jato, que fere o sistema de pesos e contrapesos entre os poderes da República", diz. "Perseguir o Lula é perseguir o povo brasileiro."
Dona de uma agenda de contatos políticos de todos os matizes ideológicos, Roberta pretende se lançar candidata a deputada estadual em 2018 pelo PC do B.
Ela se filiou ao partido ao se casar em 2009 com Protógenes Queiroz. Ex-deputado pela legenda, ele hoje se encontra em asilo político na Suíça para escapar da prisão após ser condenado por violação do sigilo no comando da Operação Satiagraha.
Divorciada há dois anos do ex-delegado, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, ela continua militando no PCdoB.
"Roberta tem personalidade própria, é progressista e provém de um segmento social pouco usual no nosso partido. É muito bem-vinda neste momento em que buscamos renovação e queremos trazer pessoas de bem para a política", diz Walter Sorrentino, vice-presidente da sigla.
A neta do banqueiro diz estar pronta se for convidada a integrar a caravana do ex-presidente pelo país, que começa na semana que vem. Movimentos de esquerda farão a escolta de petista durante caravana, escreve a Folha de S. Paulo.

Primeira delação na Zelotes

Acusado de corrupção e tráfico de influência, Paulo Roberto Cortez, auditor aposentado da Receita, fechou com procuradores o primeiro acordo de delação premiada na Operação Zelotes. Ele envolveu dois bancos e um grupo de comunicação, segundo apurou a Folha de S. Paulo, em investigação sobre a compra de decisões em tribunal administrativo.

Governo quer que emendas banquem campanhas
Para evitar novas despesas em 2018, lideranças do governo no Congresso pressionam para que o fundo público de R$ 3,6 bilhões para bancar campanhas eleitorais seja abastecido com recursos previstos no Orçamento, como emendas parlamentares e verbas controladas pelos partidos. A proposta é capitaneada pelos senadores peemedebistas Romero Jucá (RR) e Eunício Oliveira (CE). O Estado de S. Paulo escreve que a ideia encontra forte resistência entre os deputados.
Maia critica fundo de R$ 3,6 bi para eleições e distritão
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou a criação de fundo partidário de R$ 3,6 bilhões para financiar as eleições a partir de 2018 e a mudança do sistema eleitoral para chamado o distritão, aprovados em comissão da Casa, segundo a Folha de S. Paulo. “A reforma política não parece a melhor. O texto aprovou como permanentes questões que deveriam ser transitórias. A sociedade não concorda com esse valor alto”, afirmou. (Poder A8)

Maia critica fundo de R$ 3,6 bilhões
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia disse que a criação de fundo para pagar campanhas foi mau sinal dado à sociedade, escreve O Globo. Ele defendeu uma redução gradativa do valor.

Retaliação e retrocesso

Democracias não precisam de um fundo para se financiar, escreve João Domingos (O Estado de S. Paulo). Elas se sustentam por si.
Centrão pressiona e dificulta meta fiscal
Após ajudarem o presidente Temer a evitar investigação, parlamentares do centrão ameaçam dificultar a votação da nova taxa de juros do BNDES se o governo não der alívio maior para as empresas no Refis. Sem o programa que refinancia dívidas, cumprir a meta fiscal ficará mais difícil, escreve O Globo. A ala política pressiona a Fazenda a aceitar rombo de R$ 170 bilhões.

Parlamentares ameaçam travar nova meta fiscal
Insatisfeitos com vetos feitos pelo governo na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2018, parlamentares ameaçam paralisar os trabalhos da Comissão Mista de Orçamento no momento em que a equipe econômica precisa aprovar mudanças nas metas fiscais de 2017 e 2018. O Estado de S. Paulo escreve que ministros também podem ser convocados a dar explicações sobre a decisão.
Sem dinheiro para a meta

O governo deve abandonar a atual meta fiscal. Roteiro seria mais claro se parlamentares e membros do Judiciário também se considerassem responsáveis, opina O Estado de S. Paulo.

Os eflúvios do Centrão

Prometer votar contra reforma essencial para pressionar o presidente é ameaçar o País, escreve O Estado de S. Paulo em editorial.

Ajuda ao Brasil

Mundo terá dois anos de PIB forte e ajudará Brasil, escreve Míriam Leitão (O Globo).

Em recado a Doria, Alckmin destaca peso da experiência
Em recado ao prefeito de São Paulo, João Doria, o governador Geraldo Alckmin questionou o que seria o “novo” nas eleições. Padrinho político de Doria, Alckmin se referiu a nomes que se dizem descolados da política tradicional. Ambos são cotados pelo PSDB para disputar a Presidência, escreve a Folha de S. Paulo. “Avalio que a eleição de 2018 vai ser a eleição da experiência”, afirmou.

AGU cobra da GM R$ 5,5 milhões
Segundo a Advocacia-Geral, montadora deve devolver valor pago pelo INSS a 127 empregados que adoeceram por trabalhar em condições inadequadas, escreve O Estado de S. Paulo. GM não se manifestou.
Médicos adotam valores mais rígidos para o colesterol ‘ruim’
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) alterou os valores de referência para o colesterol “ruim”, tornando mais rígidos os limites considerados ideais. Pacientes com risco cardíaco muito alto devem ter o índice de LDL abaixo de 50 mg/dl, escreve O Estado de S. Paulo. Antes, o ideal era de 70 mg/dl.

Estados ainda têm excesso de presos provisórios
Mais de seis meses após rebeliões que deixaram 123 mortos em presídios de três Estados, os governos têm dificuldades para diminuir significativamente o número de presos provisórios. Transferência de detentos, novas penitenciárias e mutirões judiciais estão entre as tentativas. Em Roraima, houve aumento dessa população carcerária, escreve a Folha de S. Paulo. O Amazonas conseguiu reduzi-la, e o Rio Grande do Norte tem números flutuantes.

Trump ameaça Maduro com ação militar
‘As pessoas estão sofrendo’, justifica. Crise política na Venezuela já deixou mais de 125 mortos; Peru expulsa embaixador. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou usar força militar contra o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela. O país está mergulhado numa crise política que já deixou mais de 125 mortos em protestos nos últimos meses, e a comunidade internacional rejeitou a Constituinte convocada por Maduro. “As pessoas estão sofrendo”, justificou Trump. O Peru expulsou o embaixador da Venezuela e chamou o presidente do país de ditador, como já fizeram os EUA, escreve O Globo.

Trump fala de ‘opção militar’ na Venezuela
Presidente dos EUA diz que pode adotar várias respostas ao ditador Maduro

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou ontem que não descarta uma “opção militar” contra a Venezuela “se for necessário”. Ele não detalhou como seria a possível ofensiva, mas ressaltou que é “certamente algo que podemos buscar”. “A Venezuela não é muito longe, e as pessoas estão sofrendo e morrendo”, disse Trump, que já aplicou sanções contra Caracas. O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, afirmou que a ameaça é “um ato de loucura”. A crise no país se intensificou após a eleição da Assembleia Constituinte, em votação contestada pela comunidade internacional. Na quinta (10), O ditador Nicolás Maduro havia dito que iria pedir à Casa Branca telefonema ou encontro com Trump. Em comunicado ontem à noite, segundo a Folha de S. Paulo, a Casa Branca disse que “o presidente Trump ficará feliz em conversar com o líder da Venezuela assim que a democracia seja restaurada no país”.

Sangue e vítima

Ação americana derramaria sangue e reforçaria papel de vítima de Maduro. Se Trump não estiver só exercitando sua conhecida verborragia vazia, um ataque à Venezuela provocaria um banho de sangue inimaginável e faria de um ditador bizarro como Maduro vítima de uma ação do “império”. Tudo o que o regime faz, há anos, é responsabilizar o “império” por uma suposta “guerra econômica” que reduziu a Venezuela a uma ruína, provocada pelo próprio governo, escreve Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo.

Trump fala em usar ‘opção militar’ contra crise na Venezuela
‘As pessoas estão sofrendo e estão morrendo’, disse o presidente americano; o vice, Mike Pence, vai à região amanhã. Pentágono nega movimentações

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que não descarta uma opção militar, “se necessário”, contra a crise na Venezuela. “As pessoas estão sofrendo e estão morrendo. Temos muitas opções, incluindo a militar”, disse, sem dar mais detalhes. O Pentágono declarou não ter recebido orientações sobre uma possível ação, mas o governo americano confirmou que o vice-presidente, Mike Pence, virá à América Latina amanhã. Trump já havia ameaçado Caracas com punições econômicas, o que poderia comprometer ainda mais a economia do país, que vende cerca de 40% do petróleo para os EUA. A medida não é consenso entre os vizinhos na América do Sul, escreve O Estado de S. Paulo. Anteontem, Washington anunciou punições a mais oito membros da cúpula chavista. Até a noite de ontem, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não havia respondido às declarações.