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"Baleia Azul", um jogo mortal na internet

Curador do jogo Baleia-Azul procura quem está suscetível. Para Alexandrina Meleiro, da Comissão de Prevenção do Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria, pais devem estabelecer canal de diálogo. Veja vídeo

<b>Reprodução</b> Indução ao suicídio
Reprodução Indução ao suicídio
Por O Estado de S. Paulo
Publicado em 20/04/2017

Jogo atinge pessoas suscetíveis; pais devem identificar mudança no comportamento

O jogo de internet Baleia-Azul, que incita a suicídio e mutilações, já causou alertas policiais e de saúde em oito Estados (SP, PR, MG, MT, PE, PB, RJ e SC). Em entrevista ao Estado, Alexandrina Meleiro, da Comissão de Prevenção do Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria, explica como os pais podem identificar que o filho está envolvido
1. O que leva um jovem a se envolver?
(O “curador”) do jogo procura quem está suscetível a um comportamento suicida. A adolescência é uma fase de descoberta e insegurança, deixando muitos vulneráveis. Mesmo assim, só quem tem certo grau de depressão vai cometer violência.
2. Como identificar se um jovem está envolvido?
Os principais sinais são mudança de comportamento, isolamento (especialmente de noite) e uso de roupas que tapam o corpo mesmo em dias quentes (o que pode esconder cortes). É comum que o jovem tenha baixa autoestima.
3. Como abordar o tema?
Não pode acusar ou mexer nas coisas sem autorização. Nesses casos, a tendência é receber uma resposta negativa. Por isso, é preciso criar um canal de diálogo. O jovem costuma aceitar a aproximação se houver confiança, reporta Priscila Mengue, em O Estado de S. Paulo.

Coelho Branco e Baleia Rosa são ‘opções do bem’ contra Baleia-Azul
Alternativas trabalham de forma lúdica o bem-estar; procura por serviço faz crescer busca por apoio profissional.
Mesmo sem a confirmação de casos, começaram a surgir mobilizações para conter a disseminação do Baleia-Azul. Uma das estratégias adotadas é criar “contrajogos” que utilizem a mesma lógica, com regras divulgadas em redes sociais, mas que proponham desafios focados na promoção do bem-estar.
Nos próximos dias, a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) deve lançar o Coelho Branco, que consiste em 15 tarefas elaboradas por estudantes do ensino médio técnico de Programação de Jogos Digitais, sob supervisão da professora Evelyn Cid.
Segundo o diretor Marcelo Krokoscz, a ideia partiu dos próprios adolescentes durante uma discussão em sala de aula. “Também conversamos com os pais para alertá-los, foi uma campanha ampla”, explica, segundo Priscila Mengue e Isabela Palhares, (...)
‘Não quis me ouvir. Perdi meu filho para o jogo’, diz mãe sobre Baleia-Azul
Gabriel dos Santos, de 19 anos, tirou a própria vida; participação no jogo é investigada,

Jogo incentiva o suicídio e a automutilação.
Em depoimento ao Estado, Maria de Fátima, mãe de Gabriel dos Santos, de 19 anos, que se matou em Pará de Minas, relata envolvimento do jovem com o jogo baleia-azul. O "game" online incentiva o suicídio e a automutilação.
No Brasil, 1 em cada 10 adolescentes de 11 a 17 anos acessa conteúdo na internet sobre formas de se ferir - e 1 em cada 20, de se suicidar, segundo o Centro de Estudos Sobre Tecnologias da Informação e Comunicação (Cetic).
Leia abaixo o depoimento a Alex Capella:
"Eu falei com ele para sair daquele jogo. Uma pessoa, para fazer um jogo como esse, faz um pacto e vai colhendo alma pelo mundo afora. Só que ele não quis me ouvir. Foi quando eu briguei com ele, que isso não era coisa de Deus. Mas ele não aguentou a pressão do jogo. Dizem que eles ameaçam os jogadores que querem sair, que têm os dados da família. Ele tentou sair, mas voltou ao jogo. Perdi meu filho para um jogo. Não quero que mais mãe nenhuma passe por isso. Era um filho trabalhador, honesto, não usava drogas. Você, se precisar, dê umas palmadas, olhe o celular. Mas não deixe seu filho se perder nesse jogo. Espero que essa turma (que convida para participar) seja punida."

VÍDEO EM JORNAL DA RECORD TV.


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