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Masculinidade nua e crua, para explorar virilidade

100 homens expõem pênis em fotos para explorar virilidade. O trabalho resultante, 'Manhood: The Bare Reality' não é gratuito ou sórdido como possa parecer

<b>Reprodução</b> Nus masculinos
Reprodução Nus masculinos
Por HuffPost Brasil
Publicado em 15/07/2017

Laura Dodsworth não tem um trabalho comum. No último ano, ela fotografou pênis de uma centena de homens para um projeto.
O trabalho resultante, 'Manhood: The Bare Reality' (Masculinidade, a Realidade Nua e Crua, em tradução livre), não é gratuito ou sórdido como possa parecer. O livro, que mostra 100 pênis no total, explora as atitudes dos homens em relação aos seus corpos, à masculinidade, ao sexo e à sexualidade.
O resultado é uma diversidade de experiências masculinas: desde um jovem de 20 anos que deixou de ver vídeos pornô depois de ter ficado viciado e incapaz de ter uma vida sexual saudável até um homem de 58 anos que passou a vida com vergonha do tamanho de seu pênis.
Não foi a primeira vez que Dodsworth pediu que modelos tirassem a roupa. Seu trabalho de estreia, 'Bare Reality', revelou seios de 100 mulheres juntamente com histórias pessoais inspiradoras que abordavam a representação negativa do corpo e das mulheres na mídia, escreve Brogan Driscoll, editora sênior de Lifestyle do HuffPost - Reino Unido.
"Seios e pênis não são homólogos diretos, mas respectivamente incorporam ideias do que é ser mulher e ser homem", Dodsworth disse ao HuffPost UK. "Masculinidade é uma palavra para pênis. Parecia um bom começo para uma conversa sobre masculinidade e virilidade."
Os homens se candidataram para participar do projeto, todos anônimos. Todos os homens, sejam os convidados diretamente por Dodsworth, recomendados por um amigo ou os que responderam ao chamado nas redes sociais, estavam "100% felizes de participar".
Mas, na hora de tirar a roupa em frente da fotógrafa, Dodsworth diz que as reações dos homens foram as mais variadas: "Alguns homens se sentiram muito confortáveis ao se despir. Alguns ficaram um pouco tímidos. Alguns se sentiram orgulhosos."
Dodsworth disse que se sentiu "surpresa" e "tocada" pela honestidade dos homens em frente à câmera.
"Nunca saberemos sobre a história de alguém até que perguntemos... Os homens entraram no recinto com uma fome real. Não acho que os homens tenham muita oportunidade de ser honestos e diretos sobre suas vidas e sentimentos. Nunca ouvi homens falarem assim. Alguns homens disseram que nunca haviam conversado assim com ninguém, nem mesmo com suas parceiras. É um verdadeiro privilégio poder oferecer estas histórias para o mundo."
Ela descobriu por meio das entrevistas que muitos dos homens se sentiam pressionados por causa da imagem do próprio corpo — particularmente sobre o tamanho do pênis ou desempenho sexual.
"A ansiedade sangra em todos os aspectos de suas vidas. Pensei que muitos carregaram uma vergonha desnecessária e medo sobre seus corpos. Como os pênis têm muito de tabu, os homens não veem uma grande variedade de pênis reais por aí", disse.
Dodsworth espera que o livro desafie as rígidas expectativas da sociedade sobre a masculinidade ao oferecer uma gama de experiências e atitudes masculinas.
"A interpretação das pessoas sobre as histórias e o impacto visual das fotografias serão únicos para elas — todos trazemos experiências e ideias diferentes para nossa interpretação de qualquer arte, mas espero que venham com receptividade, se sentindo inspiradas, e pensem mais profundamente sobre o que significa ser homem", disse.
"Acho que muitos homens neste projeto teriam se beneficiado com a leitura de 'Manhood' quando eram mais jovens, dissipando mitos e relaxando suas mentes. Muitos homens que participaram o fizeram especificamente para ajudar outros homens, e homens mais jovens, relatando suas experiências."
Idade: 46
Estou meio intrigado com esta oportunidade de falar sobre minha relação com... Não quero dizer pênis e realmente não gosto de dizer pau... Rufus, sim, Rufus. (Risos) Meu pênis, o Rufus, é como um termômetro de minha saúde, de minha felicidade, de meu condicionamento físico. Meu senso de bem-estar está relacionado à minha energia sexual.
Sempre me senti mais em comunhão com meu corpo e com o corpo de outra pessoa quando sinto que minha condição física em geral, saúde e energia estão em alta. Ironicamente, a única época em que me preocupei com o Rufus foi quando, há alguns anos, o Rufus não estava subindo e era um sinal de outro problema de saúde. Nunca havia pensado sobre como o estresse pode afetar seu corpo e sua sexualidade. Se não fosse por aquilo, provavelmente nunca teria percebido que tinha pressão alta ou que o estresse pode ter um efeito negativo sobre seu desejo de ter relações sexuais.
Sabia que algo estava errado porque o desejo estava lá, mas o Rufus não estava. Eu pensava: 'Cara, o que você está fazendo? Você não parece estar tão preocupado. Eu estou preocupado, a equipe inteira está preocupada, o que está acontecendo com você? Vamos lá, cara.'
Tenho uma mente muito ativa e estou sempre fazendo malabarismos em relação a prazos, trabalho e projetos diferentes, e a única hora que minha mente está completamente em silêncio é durante o sexo. Uma parceira uma vez disse: 'Bom, no que você pensa quando transamos?' e eu disse: 'O que você quer dizer com o que eu penso? Eu apenas... Estou aqui com você. Você está nua, estamos fazendo amor e o que existe além disso? Não há pensamentos! E então pensei: 'Ah, você fantasia sobre outras coisas? Outras pessoas? Verdade?' Para mim, o sexo é quase um vácuo. É um momento de personificação completa, de estar totalmente calmo no mundo, você entende o que quero dizer? Tem a ver com estar totalmente presente.
O pênis é uma ferramenta de comunicação. É uma espécie de porta de entrada para perder quem você é e seu ego, para, na verdade, ser totalmente absorvido no ser de outra pessoa, bem como em um eu diferente, mais primitivo. Acho que não há nada maior do que estar totalmente presente no sexo. É uma jornada espiritual. Podemos jogar com o poder e com o sexo, mas tenha em mente que é um jogo. E o Rufus, seja como for que você queira chamá-lo, é parte de sua porta de entrada para isso.
Sou o primeiro negro no projeto? Onde começo? Que difícil. Quando você é um negro jovem recebe uma atenção excessiva e se foca em ser sexual, especialmente na esfera dos clubes. Homens são homens, e gostamos de facilidades; somos inseguros, não queremos ser rejeitados. E é intoxicante ter pessoas te dando atenção de uma maneira bem sexual. É como um simples vocabulário. 'Não tenho de fazer nada, não tenho de comprar nenhuma bebida, não tenho nem de ser bonito'. (risos). É foda!
É intoxicante, mas, como qualquer vício, tem seu lado negativo. Não é necessariamente uma atenção muito individual. Não tem realmente a ver comigo, isto é sobre a persona do homem negro, você sabe: tamanho do pênis, maior sexualidade, pronto para isso. É um passeio emocionante e já embarquei nele, mas com um grau de aversão depois, porque penso: 'Que foda, acabei de ser a fantasia Mandingo [ator pornô negro] de alguém'. E já fiz isso, não porque sou negro, mas porque sou homem e houve uma aproximação e sei que não esperam muito de mim.
Como homem, você pode compartimentalizar todas essas coisas, mas existe uma parte de você que quer que as pessoas queiram mais de você, que tenham curiosidade sobre você. Não é que os homens negros sejam mais hiperssexuais, é apenas que esses homens, dada a oportunidade, desejam ser tão sexuais quanto possível, ter seu bolo e comê-lo.
Cresci em um ambiente de classe trabalhadora e, às vezes, ia para clubes de homens negros e era abordado por mulheres brancas que diziam: 'Não saio com homens brancos, só saio com negros. Meu lado que é pós-graduado dizia: 'Peraí! Por quê? Um homem é um homem. O que isso tem a ver? Isso é um fetiche que não faz sentido'. Às vezes, essas mulheres acabam sendo vítimas disso porque estão buscando hipermasculinidade e escolhem certos tipos de homem.
Acho que isso tem um efeito prejudicial sobre alguns homens negros que conheço que aceitam e internalizam essa ideia de si mesmos. Quando você é minoria em uma sociedade, internaliza como a maioria da sociedade vê você. Começa a criar sua identidade parcialmente a partir da resposta à projeção. E a projeção também pode se tornar uma ferramenta de solidariedade. A projeção pode ser um meio de reforçar nossa ideia de nós mesmos ou nossa autoestima.
Tanto mulheres quanto homens gostam de sexo, têm curiosidade sobre o sexo e se vangloriam sobre o sexo de diferentes maneiras, mas acho que os homens têm mais medo e menos entendimento da natureza emocional do sexo e compartimentalizam isso. Na compartimentalização, há um tipo de autobrutalização que continua, porque a troca sexual é sempre mais do que uma conversa e uma xícara de chá. Há algo de você que é transferido.
Penso que, de certa forma, as mulheres estão, talvez, mais em sintonia com o investimento emocional que acompanha o sexo, a sensação de que existe uma barreira que está sendo atravessada e que é mais do que mecanística e mais do que apenas prazer. Isso não significa que todas as mulheres queiram ficar com todos os homens com os quais dormem, mas acho que há uma qualidade diferente de entendimento daquela troca para algumas mulheres. Desculpe, é realmente difícil falar nesses termos pesados porque a todo momento estou pensando que é uma bobagem por causa das exceções. Por isso, estou apenas dando essas grandes pinceladas com enormes ressalvas.
Acho que, talvez, apenas tenhamos medo de ser idealistas.
Todos temos medo, não sabemos dar nome para o que estamos fazendo. Nas sociedades antigas, adorávamos o falo e a vagina, e havia uma razão por isso. Se reconhecêssemos que o sexo não tem a ver apenas com gratificação, que existe uma comunicação mais ampla, acho que seríamos mais respeitosos. Acho que o sexo precisa ser colocado de volta em seu maldito pedestal.
Deixei a pornografia
Idade: 20
Realmente gosto de esportes, mas não ligo particularmente para a aparência. Gosto de me sentir atraente, mas penso em minha aparência mais como um subproduto do esporte. É comum as pessoas irem à academia, levantarem peso, mas não há nada útil sobre os músculos que estão ganhando. Se eu estivesse em uma situação difícil, seria capaz de sair dela confortavelmente por causa do meu nível de condicionamento.
Parkour é meu esporte favorito no momento. Costumava correr muito quando criança, e, quando fico entediado com aquilo, mudo para a escalada. Sou uma pessoa bastante competitiva em termos de esportes e, se há uma competição, normalmente tentarei participar. Conheço alguns ratos de academia, mas realmente não consigo me dar bem com essas pessoas. Por alguma razão, todas as academias têm essas paredes de espelhos, e as pessoas que levantam peso ficam lá paradas e tiram fotos para o Instagram ou Facebook, essas coisas. É realmente narcisista.
Muitas pessoas usam esteroides. Quando estava na faculdade, alguns caras estavam usando esteroides, injetando nas nádegas ou pedindo para que seus amigos o fizessem, o que é um pouco estranho. Tinham problemas sérios de agressividade. Não sei se é o tipo de pessoa que faz essas coisas ou se os esteroides levam a problemas de agressividade, mas eles eram tão propensos à agressividade que, se você fizesse uma piada que fosse levemente aviltante, eles perdiam a cabeça. Era apenas uma brincadeira, uma piada. Um cara literalmente me arrastou pelo estacionamento e eu disse: 'Você se dá conta que, se me bater, vai ser expulso da faculdade e vai perder seu emprego? E ele disse: 'Não me importo.' Pensei: 'Como não se importa?' É um pouco preocupante.
Eles não eram burros, se saíam bem na faculdade, mas nunca intelectualizavam nada. Não pensavam sobre seus sentimentos ou o que significava para eles. Eram do tipo: 'Ah, quando fomos para Ibiza e transamos com algumas mulheres'. A ideia de sair de férias apenas para beber e tentar transar com muitas mulheres bêbadas não me atrai nem um pouco. Acho que se você for uma pessoa relativamente legal, vai encontrar alguém que realmente queira ter relações sexuais com você por um bom motivo, não porque está bêbada.
Deixei a pornografia. Na verdade, parei de me masturbar totalmente por um longo tempo. Eu costumava ter problemas para ejacular com minha ex quando estávamos transando. Bater punheta e sexo oral funcionavam, mas normalmente porque estavam no lado mais áspero. Acho que a ejaculação ficou associada à minha mão e a ver pornografia. Tinha problemas de ficar por cima também. Acho que é porque quando estou vendo pornô fico encostado e parado e, enquanto estou transando, tenho de estar em cima e me mexendo.
Minha nova namorada fez algumas pesquisas a respeito. Há alguns problemas. [Assistir a vídeos] pornô não tem nada a ver com realmente ter relações sexuais. Além disso, a sensação da mão não tem nada a ver com o sexo real ou com outra pessoa — tem essa coisa chamada de 'pressão morta'. O que acontece com muita gente é que pressionam muito forte quando estão se masturbando e se acostumam com isso, e então o sexo não proporciona a mesma sensação de pressão. Quero dizer, algumas pessoas dão uma [sensação] de muita pressão, mas não tanto. Para mim, a mistura de tudo isso causou meu problema. Eu e minha namorada estamos transando perfeitamente agora. Bem, estamos chegando lá. Ainda existem alguns problemas, mas, obviamente, as pessoas passam por coisas no sexo que precisam ser trabalhadas, e é bom conversar sobre isso.
Devo dizer como nos conhecemos? Nos conhecemos fazendo parkour e ficamos amigos depois de um tempo. Há alguns anos, ela assinou um contrato para uma relação sexual como parte de um projeto de arte, mas nunca teve a chance de usá-lo. Uma noite, ela me perguntou se eu queria assinar o contrato de sexo com ela. Disse não, em um primeiro momento. Depois, fiquei refletindo sobre aquilo e pensei: 'O que de pior pode acontecer realmente? Tipo, somos amigos, mas qual é o problema com o sexo? Por que não? Enviei uma mensagem para perguntar se podia mudar de ideia. E, então, ela me enviou o contrato. É uma ótima ideia, mas levei um tempo para superar o quão estranho me pareceu no começo. O contrato que assinamos se chamava 'Three Mergers' (Três Fusões), para transar três vezes, e depois você decide o que fazer a partir dali. Você pode assinar outro contrato ou pode apenas ir embora e não fazer mais nada. Você pode desistir a qualquer momento, mas a ideia é assinar como qualquer outra coisa. Então, você assina este contrato e depois faz a obrigação. Obviamente, não é algo autorizado no Reino Unido.
Nosso primeiro beijo? OK, foi estranho. Foi neste sofá (risos). Não estava no contrato, mas decidimos antes que seria um pouco estranho se não nos beijássemos enquanto estivéssemos transando ou nas preliminares. Fomos nos beijar, e a primeira coisa que aconteceu foi que nossos dentes se chocaram e dissemos: 'ai'. Depois, tentamos de novo e fluiu bem melhor. Fomos ao quarto e lhe disse que tinha problemas para ficar duro e ejacular.
Não queria dizer antes, seria muito estranho. Não estava sem roupa naquele momento e nunca é tarde para dizer não. Ela disse que tudo bem e que iríamos trabalhar aquilo. Não perdi minha ereção, mas não ejaculei transando. A pornografia é um vício, no final das contas. Da mesma forma que jogar não é um vício físico, não está realmente em seu sangue, mas entra em sua mente. Costumava usar pornô todo dia. Deixar a pornografia e parar de me masturbar foi como reinicializar. Depois de várias semanas, consegui ter um orgasmo durante o sexo novamente. Teve de ser um sexo bem rápido, áspero para começar, mas naquele ponto consegui. Então deixou de ser um pouco estranho e irritante de que não estava rolando para: 'Ah, posso ter orgasmo com sexo agora, isto é bom'.
E depois meio que desacelerou e ficou muito bom. Gostaria de conseguir ter orgasmo com sexo mais gentil. Ainda tem de ser um pouco mais rápido do que eu gostaria. Ainda tenho problemas em gozar quando sou eu quem estou me mexendo e não estou deitado. Isso também está melhorando, estou bem perto. Muitos homens mais velhos que começaram a assistir a [vídeos] pornô quando já maduros não têm muitos problemas porque estiveram com mulheres, sabem como o sexo é realmente. O problema é quando começam jovens no iPhone que seus pais lhe deram, não precisam ver escondido no computador ou coisa parecida, podem apenas assistir, todas as noites, 'hardcore', 'softcore', podem assistir às pessoas sendo esmurradas, cotovelos para cima do traseiro se realmente quiserem, esse tipo de coisa. Podem assistir a qualquer coisa que quiserem e é quando isso começa a se tornar um problema. Se você traz coisas desde jovem, elas ficam com você. Se chegar à puberdade e for direto ao pornô, o que aconteceu comigo e com muitas pessoas da minha idade, é quando se torna um grande problema e te afeta mais tarde.
Perdi minha virgindade com a esposa do meu professor
Idade: 92
Perdi minha virgindade com a esposa do meu professor de gramática da escola. Ele foi enviado à França como espião e combatente de resistência. Fizeram um acordo de que, enquanto ele estivesse na França, não haveria forma de manter contato e, caso se interessassem sexualmente por outra pessoa, poderiam ter uma relação. Eles se amavam e continuariam se amando durante a guerra, mas era um arranjo. Eu tinha 18 anos e fui ficar com ela quando minha embarcação ia partir. Estava prestes a ir para a África. Eu conhecia os dois e tinha apreço pelos dois.
Estava em um quarto de solteiro. De manhã, a porta se abre, e entra esta mulher, de robe. Ela se despiu e se ajoelhou ao lado da cama. E lá estava este ingênuo garoto de 18 anos. Homem? Garoto. Sem nenhuma experiência sexual. Nunca havia tido uma relação sexual. Foi um ato de bondade. Me apaixonei imediatamente por ela, claro. Eu a amava. Eu a amava antes. Sentia uma coisa forte por ela, mas isso era incrível. No dia seguinte, saímos com a filha dela e fizemos algumas compras. Voltei para minha unidade e parti. Parti com enorme prazer. Por outro lado, estava no exército.
A guerra não foi algo que eu havia escolhido, fui convocado. A guerra foi fácil para mim. Era motorista e operador sem fio. Não entrei em contato com o inimigo. Não tive tarefas difíceis, só operava o rádio. Não gostei de ser recrutado, mas não me opus. Era uma guerra justificável, e eu esperava ser recrutado.
Depois da esposa do meu professor, minha próxima relação com uma mulher foi com uma prostituta em um bordel árabe em Argel. Na verdade, não me lembro de ter relações sexuais lá, mas acho que tive. Depois, na Itália, fui para um bordel em Nápoles.
Fiquei a noite toda. Isso não é comum nos bordéis. Quando acordei e a olhei, achei que ela era adorável. Já não tenho uma atitude em relação à masculinidade. Agora sofro de demência. Um psiquiatra disse que tenho demência e me receitou remédios. Isso afeta a maneira como você pensa e também a memória. Até os 87 anos, eu tinha sentimentos normais sobre sexo e atração, mas estes desapareceram completamente com minha demência. Se olho uma imagem pornográfica, não tenho nenhum desejo sexual. Sou fisicamente incapaz, não poderia ter uma ereção agora. Eu me masturbava de vez em quando há alguns anos, mas já não consigo, desapareceu completamente.
A ausência de um sentimento sexual não me importa nem um pouco. Quando eu era mais jovem, teria sido desastroso. Você sabe, se um homem não consegue ter ereção, ele vai procurar um médico e tentar resolver. Como todos os homens, tinha muito interesse, mas não tenho interesse agora. Fui casado duas vezes e tive vários casos que significaram muito para mim. A vida mudou para os homens e mulheres durante minha vida.
O relacionamento entre homens e mulheres é mais liberal, [há] uma melhora. Há mais parceria entre homens e mulheres. Embora quando eu fosse jovem existissem muitos homens que não eram machistas. Minha última relação foi quando tinha 70 anos e com uma mulher de 50. Tivemos uma relacionamento sexual, viajamos juntos, cuidei de seus filhos. Ainda somos amigos.
A longevidade está aumentando. Meus pais morreram em seus 70 anos, mas eram mais como as pessoas de 90 agora. O envelhecimento agora acontece mais tarde. Até os 87, me sentia normal na maioria das coisas. OK, não podia andar de bicicleta tão bem quanto quando era jovem. Afirmaria que sou um homem feminista. Qual é a palavra que cobre todos os diferentes problemas? É a demência... Existem outras formas de opressão, como opressão de classe. É isso, me lembro, sou um feminista interseccional. Acredito muito nisso.
Passei minha vida achando meu pênis muito pequeno
Idade: 58
Passei minha vida achando meu pênis muito pequeno. Desde quando consigo me lembrar, sempre senti vergonha disso. Acredito que como me sinto sobre me pênis definiu minha vida, particularmente até meus 20 e poucos anos. Estou fazendo isso para ajudar outros homens. Meus anos de adolescente foram difíceis para mim — eu olhava para outros caras nos chuveiros da escola e pensava que [seus pênis] eram maiores do que o meu. Me sentia envergonhado e 'inferior'. Fui para uma escola só de homens e para uma universidade só de homens. Estava preocupado em ser 'descoberto' de alguma forma.
Como pensava que meu pênis era muito pequeno, não tive relações sexuais até os 21 anos. Queria ter transado antes disso, mas todas as vezes que chegava perto, pensava: 'Ah, ela vai descobrir que meu pênis é muito pequeno'. Quando finalmente tive uma relação sexual, foi com uma pessoa muito próxima e na qual confiava, e me senti relaxado com isso. Aquilo havia me impedido de ter tido relações sexuais antes com mulheres com as quais não me sentia tão próximo. Não estou dizendo se isso foi uma coisa boa ou ruim.
Às vezes, quando ia a banheiros públicos, me sentia muito tenso para urinar. Isso ainda acontece às vezes. Se você está na fila com muitas pessoas, às vezes se preocupa que estejam olhando.
Se eu tivesse um pênis maior, acho que transitaria pelo mundo dos homens com mais confiança. Você vê homens passeando pelos chuveiros e academia com confiança, tipo: 'Olhem para mim'. E eu não, estou em um canto com uma toalha. Isso parece algo sem importância, porque não fico em vestiários com muita frequência, mas acho que teria me dado mais confiança. É meio interessante. Sou bem-sucedido na vida. Sou um líder nos negócios, líder de grupos, atuo no palco. Parece mais uma ferida interna e serviu para me dar humildade. Em vez de caminhar pela vida com arrogância, sempre tenho sido mais cauteloso. Também penso mais sobre em quem posso confiar e em quem não posso.
Vi extensores de pênis em revistas e achei uma completa perda de tempo. Sabia que a jornada para mim era a de aceitar meu corpo como ele é. Também não gosto do meu nariz. O jeito é fazer amigos com o corpo que tenho. Nunca considerei fazer uma cirurgia plástica seriamente.
Tamanho nunca foi um fator com minhas parceiras. Na verdade, tem sido o oposto. Algumas parceiras disseram que gostam do meu tamanho porque não machuca e podem fazer sexo oral com mais facilidade. Amigas próximas me disseram que pênis grandes intimidaram ou causaram dor. Lembro de ouvir uma amiga dizer para minha parceira que nunca sairia com um homem que não tivesse um pênis grande, porque não sentiria que ele seria de fato um homem de verdade. Pensei: 'Nossa, isso então me excluiria'. Fico pensando quantas outras mulheres pensam isso. No entanto, isso nunca foi um problema com minhas parceiras.
Fiz meus melhores amigos na faculdade, mas o ambiente era, em grande parte, horrível. As atitudes em relação às mulheres eram neandertais, terríveis. Comportar-se daquela forma com as mulheres seria inimaginável. Elas eram vistas como objetos sexuais para serem caçados, seduzidos, agarrados, apertados, fodidos, e só. Havia cerca de cinco homens para uma mulher no geral na universidade, e era difícil conseguir uma namorada. Todos os caras estavam realmente frustrados. Conheço homens que foram estuprados por outros homens na universidade, embora isso teria sido visto como uma 'farra violenta'. Um cara que conheço foi imobilizado enquanto outros faziam sexo oral nele. Ele viu aquilo como um tipo de iniciação e pensou que fosse uma brincadeira. Se realmente viu aquilo dessa forma, não sei. Eu chamaria de estupro.
Sempre havia uma noite de absoluta devassidão na faculdade, com todo mundo ficando bêbado, pornografia 'hardcore' correndo solta e coisas sendo jogadas pelas janelas. Era toda uma história sobre escola pública e aquele tipo de vida. As pessoas podiam tirar a roupa. Lembro que, uma vez, outras pessoas me agarraram e tiraram minha roupa, e eu estava muito preocupado que tirariam minhas calças e que começariam a rir de mim, mas não riram. Acho que devem ter percebido meu pânico e pararam. Aquele medo estava comigo o tempo todo.
Sofri abuso no trem duas vezes, quando tinha 11 anos. Na primeira vez, estava indo para casa depois da escola. Era um trajeto de 45 minutos. Normalmente ia em compartimentos menores. Estava sentado em um canto quando um cara entrou no mesmo compartimento. Em um momento, ele olhou para mim e disse: 'Ah, você parece ter a idade certa para se autopromover'. Eu estava usando shorts e, sem querer, deixei meu zíper aberto. Ele se aproximou para me agarrar. Eu o empurrei. Ele continuou falando comigo e perguntou se eu queria ir para a casa com ele. Eu era tão inocente. Eu disse que não podia ir com ele porque tinha aula de piano.
Ele disse que tinha um piano em casa. Felizmente, embora eu não houvesse dito nada quando cheguei em casa, minha mãe era sensível o suficiente para notar que alguma coisa estava estranha. Acabei dizendo a ela o que havia acontecido. Meu irmão mais velho me acompanhou no trem nas duas semanas seguintes para ver se víamos ele de novo, mas não vimos.
Cerca de um mês depois, eu o vi e fui correndo ao supervisor da estação e pedi para que ele chamasse a polícia. A polícia veio me buscar, mas, claro, ele já havia ido horas antes. Depois percebi como fiquei nervoso. Por um longo tempo, fiquei preocupado em estar sendo seguido por homens.
Talvez, cerca de nove meses depois, eu estava indo para casa depois da escola, em um compartimento único, brincando com figurinhas de futebol. Um cara se sentou na minha frente e disse: 'Ah, você quer ser jogador de futebol?' Eu disse que sim. 'Então, por que você não vem aqui e verei se você tem corpo para ser jogador de futebol?' Ele começou a passar a mão em minhas coxas e pernas e disse que eu tinha o corpo adequado. Depois disse: 'Vou te dar uma coisa muito dura para ver se você tem a força para ser um jogador de futebol.' Então, estava de pé em frente dele, de costas, coloquei minhas mãos para trás e apertei essa coisa. Não sabia o que estava apertando naquela época, não sabia o que era um pênis ereto. Foi apenas cinco anos depois que percebi o que havia acontecido.
Tive que trabalhar muito isso, muito trabalho sobre a raiva. Às vezes, ainda sinto raiva sobre isso.

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